
Boas Férias!
Gente, que bom voltar a escrever. Dessa vez, irei dividir com vocês as emoções dessas férias. A viagem começou no dia dois de fevereiro e deve terminar no dia 16. Nosso plano é de sair de Brasília para visitar Vitória, onde mora a irmã mais velha de mãe. Serão MUITAS emoções: estou indo encontrar com meus primos, que sempre foram exemplos para mim durante toda a minha infância, encontrar com a minha tia, que sempre foi o oráculo da minha vida (digamos que ela tem um certo dom de saber das coisas que estão acontecendo e do que vai acontecer) e, como se precisa-se de um bónus,irei conviver com uma criança com síndrome de down. Só um detalhe: Essa menina só é a caçula da família, uma prima que eu nunca tive a chance de conhecer.
Para começar, que tal se eu conta-se como está caminho até Vitória? Saímos de Brasília no dia 2 de fevereiro. O que conspirou para a viagem estar sendo assim foram os seguintes:
Meu pai trabalha no departamento de promoção e movimentação do exército. Na verdade, ele é síndico do prédio, faz parte da comissão responsável pelo condomínio onde nós vamos morar, trabalha no departamento de promoção e movimentação do exército e ainda tem esposa e filhos! Uma pessoa normal conseguiria ter uma vida dessas? Sim, mas meu pai não é uma pessoa qualquer. Meu pai tem um característica que é tanto seu diferencial como também é o que acaba com ele: ele é perfeccionista. Ser perfeccionista não é o problema. O problema é ser perfeccionista com tanta gente dependendo de você, tendo tanta coisa para fazer por dia e tempo pouco tempo para fazer tudo isso... Meu pai é a típica pessoa que recebe pelo menos cinco ligações por dia: da esposa durante a tarde, para saber se ele está bem; de alguém ou pedindo para ser transferido ou chingando por ter sido; do porteiro do meu prédio, para falar o que está acontecendo de estranho (sempre tem alguma coisa...), algum banco, operadora, jornal ou até seguradora ligando para oferecer serviços e finalmente do seu chefe, depois do trabalho, para falar sobre como foi o dia de trabalho, o que o meu pai vai trabalhar de madrugada e também o que ficará para o dia seguinte. Ele é um homem vive uma rotina muito estressante e o que ele mais gosta é viajar. O plano original era de viajar na primeira semana de Janeiro. O chefe tinha autorizado, preparamos as coisas... Dois dias antes da viagem, com até hotéis reservados, o chefe do meu pai pediu para que ele cancela-se a viagem... Mamãe disse que ele chorou de raiva, por não conseguir parar de trabalhar, já que sempre tem sempre trabalho para ser feito; e de tristeza, já que até ele sabia que o que ele mais precisava era de viajar, para o bem se sua saúde. Dias depois, ele conversou com o chefe e perguntou qual seria o melhor dia para sua viagem. O que o seu chefe disse: dia 02.
Minha mãe sempre lutou por sua família. Além de ajudar financeiramente, minha mãe parece que, desde o falecimento de minha vó materna, chamou a responsabilidade de unir a família para si. Fazia muito tempo que ela sentia falta de sua irmã mais velha. Minha Vó materna teve muitos filhos e era muito carente. Como ela trabalhava muito para sustentar a casa com meu avô paterno, posso dizer sem medo que minha tia foi quem criou minha irmã. Sem nem pai e nem mãe, a figura mais próximo de uma mãe em sua própria família é sua irmã mais velha, pessoa que não via a 5 anos. Já estava na hora desse reencontro.
Minha irmã está estagiando na Rede Globo. Todo mundo sabe que todos viajam de Brasília no Carnaval. Os jornais de uma emissora como a Rede Globo nunca param. Sabe que vai ficar me Brasília colocando o "Plim-Plim" para funcionar???
Eu estava pronto para viajar! No dia 5 de Janeiro. A idéia era passar duas semanas fora, viajando com a Paula e minha irmã, antes de eu voltar para a Empresa Júnior da Psicologia e ainda ter tempo para me voltar, trabalhar na comissão eleitoral, garantir minha bolsa de pesquisa e ser feliz! Quando meu pai disse que nós não iriamos viajar mais no dia 5 de Janeiro, ele me pediu perdão por cancelar a viagem que era tão importante para nós. Aí, eu disse para ele: "Pai, fica tranqüilo porque, (Olha a cilada, Bino!) assim que você conseguir uma outra viagem, prometo que vou com o senhor"... É. Claro que deu problema. A Empresa Júnior voltou dia 18, coloquei meu planejamento de folga na empresa para março (já que não fazia idéia quando conseguiria uma folga, melhor curtir bem o final!) e fiquei trabalhando na comissão eleitoral, pouco no projeto de pesquisa e muita vagabundagem. Quando meu pai me disse na semana passada que nós iriamos viajar dia 2, pensei: ferrou! Na semana passada, as reuniões da empresa Junior mudaram de turnos, ao invés da tarde foram pela manha, me rendendo a gafe de ligar para minha colega confirmando a reunião quando ela tinha terminado... O pior foi quando, no momento em que eu iria avisar minha chefe da minha viagem, ela me questionar porque eu estava sumido (eu avisei minha colega, mas não minha chefe...). Imagina que legal você descobrir que o seu empregado, aquele estava sumido e não foi a reunião passada porque é um lesado, está avisando você que vai sumir por duas semanas para tirar férias com o pais (sendo que as férias da empresa é apenas de uma semana...). Para que eu não sumisse do mapa durante a viagem, meus pais arrumaram uma internet 3G da Vivo. Ótimo, tirando que o servidor é pior do que o da net e que, em Minas, a operadora que tem menor sinal é a Vivo.
Bem desse jeito, todos montamos as malas, cancelamos compromissos e fomos viajar! Saímos de Brasília no dia 2 de Fevereiro pela manha, com um sol monstruoso sobre nossas cabeças e muita ansiedade por uma ótima viagem. Porém, assim que nós saímos do DF, comecei a sentir muito medo. A última vez que nós fizemos esse caminho foi a 5 anos atrás, quando minha família sofreu um sério acidente de carro onde, sabe deus como, todos as pessoas que estavam dentro carro sobreviveram. Fiquei angustiado até ficar vidrado! Isso foi porque eu resolvi começar a ler "A Função do Orgasmo" de Wilhelm Reich. Além de ele ter (em 1935) um teoria da personalidade fantástica e de ter idéias avançadas sobre psicologia social, manipulação de massas e psicopatias, ele ainda conta as dificuldades de uma psicologia e de uma psicanálise logo após do surgimento de Freud. Só não posso dizer que estou devorando esse livro porque, para cada uma página que eu leio, preciso de 5 mim de reflexão. Da mesma maneira foi o príncipe, mas foi um dos livros que mais me fizeram pensar.
A única coisa realmente interessante é que me fez pensar muito foi que, durante o trajeto, conheci rapidamente uma atendente de uma das paradas do caminho até Sete Lagoas e fiquei pensando que deve ser muito estranho se viver em um local onde a maioria das pessoas só estão mesmo de passagem. Deve uma experiência cultural louca, mas deve ser também um tanto solitário ver sempre as pessoas irem embora... Acho que eu iria viver querendo fugir de lá!
Sete Lagoas! Lugar lindo, calmo cheio de lembranças curtas! Lembro do jogo da memória que eu ganhei ao comprar algum bolinho na padaria, lembro que eu considerava o lago da praça central interminável e lembro do aquário da pizzaria que nós sempre íamos quando éramos criança. O aquário foi removido, o lago continua bem grande, mas tinha me esquecido de uma coisa: que a pizza do local era fantástica! Além disso, foi o primeiro local que eu vi um suco de latinha custar 0,5 centavos mais barato do que um refrigerante! Viva a saúde!
No Hotel, me preparei para a manha seguinte porque na manha seguinte eu iria tentar, em plena estrada, fazer um vídeo-conferência com o pessoal da Empresa. No meio da noite, meu pai pediu o Laptop emprestado para poder reservar o nosso hotel em Mariana. Emprestei para ele e fui dormir. Acordei, peguei o Laptop, tomamos café-da-manha, colocamos a mala no carro e fomos rumo a Ouro Preto e Mariana.
Quando deu oito e meia da manha, liguei o computador, conectei a internet 3G, e tudo estava dando certo! Até que a net não queria abrir o gmail e descobrir que meu pc só tinha 3mim de energia: meu pai não tinha usado ele na tomada e nem colocou depois de usar. Foi o tempo do email abrir e de tudo sumir... Foi quando decidi voltar a ler meu livro.
No meio da viagem, decidimos para em um lugar em que ninguém esperava encontrar nada mais do que um pão-de-queijo mineiro, um banheiro e um lugar para esticar as pernas. Porém, encontramos um dos museus mais fantásticos sobre a cultura do Brasil desde os anos de 1940 até 1990! Isso em um lugar que, de longe parecia um boteco de meia de estrada! Enquanto meus pais pediam uma pastel de queijo na massa feita de angu, eu tirava fotos e fotos de um lugar que é provavelmente o lugar mais inusitado que eu já pisei! Por que? Simples. Porque eu vi um pequeno lago, com peixeis, uma banheira que tinha uma escultura e em sua encosta uma velha televisão, vi uma mesa que continha uma bicicleta, um gramofone e um teclado (todos clássicos!) ao lado de um bandolim e de um quadro da Monalisa, em um local recheado de fotos de ícones da geração dos nossos pais e com inconstáveis LPS! Entrei em um transe tão absurdamente forte que quando entrei em um comodo, tomei um susto MUITO GRANDE QUANDO TOPEI COM ALGO AZULADO, QUE FUGIU LOUCAMENTE DE MIM! Quando não sobrava mais ninguém na sala, pensei em 3 coisas:
1- Ah... Era só um pavão
2-WTF! QUE P! DE LUGAR É ESSE QUE TEM ATÉ UM PAVÃO!
3 – EU TENHO QUE TIRAR UMA FOTO DO PAVÃO!
Após comer um pastel, ir no banheiro, tirar a foto do pavão e alongar as pernas, dirigimos em direção a
Ouro Preto e Mariana...
Ouro Preto é uma cidade muito boa? Sim, mas tem seus altos e baixos! Quem já passou por lá sabe que o que eu fiz foi um trocadilho. É bonita? Sim, linda, cheia de igrejas, história por todos os lados, mas quem passa 3 horas na cidade parece que foi para uma academia! Sério, leitores. A situação é tão séria que eu realmente acho que o a cidade nunca vendeu carro 1.0. e que, de uma maneira bem caótica, não tem solução! É uma cidade de ruas MUITO estreitas (tipo, cabe 1 carro e a rua é mão dupla!), cheia de casas histórias e as pessoas não conseguem ficar andando por lá por muito tempo. É lindo, mas deve ser difícil de se viver em Ouro Preto.
Já em Mariana, as ruas são niveladas, são finas, mas cabem dois carros em uma mão duplas, também tem história para todos os lados, é linda do mesmo jeito e ainda não é tão loucamente cheio como Ouro Preto. Melhor ainda foi a Pousada que ficamos. Bem arejado, amplo, com piscinas,com o Juca e seus “irmãos”. Juca era um dos 8 cães da dona! Todos extremamente mansos e adestrados! Tem fotos no orkut!
Aqui, nessas duas cidades, aconteceram duas histórias muito curiosas.
Chegando em Ouro Preto, entramos para conhecer a Casa dos Contos. Não são contos de fada. Estamos falando de dinheiro! O local contava toda a história do ciclo do ouro no Brasil, de quais foram e de com foi que fomos aperfeiçoando nossa moeda. Curiosamente, hoje o banco central disse que todas as notas do Real vão ser lentamente trocadas! Hehehe. Durante essa visita, vi um senhor de idade beirando 60 anos entrando de uniforme em um banheiro, enquanto segurava um galão de água. Logo depois, escuto um PLACK!e vejo água escorando do banheiro! Saí correndo e, graças a Deus, encontrei apenas um senhor assustado. Perguntei:”O senhor está bem?”; “Escorregou da minha mão, desculpa, não sei como aconteceu...”; “Acho que o senhor entendeu mal. O galão de água a gente repõe, o homem não. O senhor está bem?”. Foi comovente perceber o sorriso no rosto do senhor. Grato, disse que estava bem, que só foi um susto e que precisava apenas limpar o chão.
Em Mariana, ao visitar uma igreja, um incidente muito curioso aconteceu. Vi que, assim que nós nos aproximamos da igreja, um senhor negro, de camisa pólo amarela e calça jeans entrar correndo na igreja. Quando nós entramos, ele nos observava de longe... Resolvi me esconder dentro da igreja e mantive o olho nele. Ele se aproximou lentamente do meu pai enquanto ele rezava, estendeu sua mão, mas ficou tímido de chama-lo. Vendo sua visível simplicidade, dei boa-tarde a ele e ele perguntou se queria receber instruções sobre os monumentos e a história daquela igreja. Agradeci seus serviços, mas recusei. Minha mãe aceitou, e ele começou a narrar a história da igreja, da decoração e de cada santo presente na igreja. Ele sabia muito e tinha uma voz dígina dos grandes cantores dos anos 60,70. No que nós estávamos indo embora, vi que minha mãe estava conversando com ele, cheguei mais perto e ouvi o final de sua mensagem: “o senhor, como o senhor mesmo sabe, tem a voz como instrumento de trabalho. Ela é seu maior tesouro! Acho até que o senhor deve procurar cantar, já que o senhor consegue contar as coisas de uma maneira quase melodiosa. Então, não fume não. Por favor. O senhor é uma pessoa muito boa, vive da sua vós e, eu sei, porque eu já fumei no passado, que o senhor fuma para poder se calmar. O problema é que da mesma maneira que ele te acalma ele também acaba com você. Por favor, não fume mais...”. O curioso é que o senhor não fedia a cigarro, ele não tinha comentado com ela sobre o cigarro e ele ficou muito emocionado. Quando nós passamos novamente pela igreja, ele levantou, disse que não ia se esquecer jamais do que minha mãe disse e que ia parar de fumar...
Isso tudo foi tudo o que rolou de interessante nessa parte da viagem. Amanha, começo a escrever sobre a chegada em Vitória. Garanto para vocês que, só hoje, já vi que vou aprender e viver muita coisa interessante por aqui. Além disso, quero comparar Carl Rogers e Wilhelm Reich para quem curti psicologia. Até amanha!